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Torcidas de Flamengo e Botafogo brigam antes de clássico

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Marcas de bala nas paredes, manchas de sangue pelo chão, garrafas de vidro quebradas e pedaços de pau. Poderia ser a descrição de alguma área de confronto bélico, mas era apenas o entorno do Estádio Nilton Santos nesta segunda-feira. Um dia após o futebol ficar em segundo plano no clássico entre Botafogo e Flamengo, o bairro do Engenho de Dentro registrava cenas dignas de um pós-guerra. Os moradores só tinham um assunto: o confronto entre torcedores antes da partida.

 

 

 

Vídeo completo sobre a briga:

Até o início da tarde desta segunda-feira, cinco torcedores haviam recebido alta do Hospital Salgado Filho. Dos oito levados para lá, um morreu e outros dois seguem internados: um em estado grave e o outro um pouco melhor após passar por uma cirurgia, ambos em condições estáveis. 

- Foi uma confusão enorme. Torcedores se confrontaram com barras de ferro e "na mão". Tive de fechar meu comércio e até deixei torcedores normais entrarem para se proteger. Uma menina chegou a pular pela janela daqui para se esconder - disse Ione, que mantém uma lanchonete ao lado de sua casa.

Parte do comércio amanheceu fechada nas cercanias do Niltão. Quem caminhava pela rua via rastros de sangue por toda a extensão do estádio. Na esquina entre o setor Norte (Rua das Oficinas) e Oeste (Rua José dos Reis), uma fotografia da violência que assola os encontros de rivais por todo o Brasil: manchas de uma execução à luz do dia, no meio da rua. Ali, um carro passou atirando e atingiu Diego Silva dos Santos, de 28 anos, que morreu.

- A primeira cena que vi da minha janela após o tiroteio foi a de um homem ensanguentado no chão. Um horror. Foi a pior coisa que já vi aqui. Em 10 anos de Engenhão, eu nunca tive que baixar as portas do meu estabelecimento como tive que fazer ontem. Fiquei aterrorizada com tanta violência - declarou a moradora.

Os relatos da briga, que começou na ala Norte em direção à ala Oeste, são assustadores. Moradores que não quiseram se identificar relataram o uso de armas de fogo e até granadas por parte das organizadas das duas equipes. A Guarda Municipal quase teve seu ônibus virado. Os integrantes do pelotão chegaram a se esconder em uma vila, na Rua General Clarindo, transversal à Rua José dos Reis, no lado Oeste. 

- Tive que fechar as portas assim que começou a correria. Os tiros vinham de lá para cá (do setor Sul em direção ao Norte) e o confronto era muito pesado, os torcedores do Flamengo cercaram os do Botafogo na esquina (da ala Norte com a ala Oeste). Vi barras de ferro e pedaços de pau com prego na ponta. A Comlurb passou por aqui, mas ainda tem muito sangue - disse Fernando Santos, morador e comerciante local.

Sem contingente suficiente para garantir a segurança dos torcedores, o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) tentou intervir, com reforço do 3º Batalhão de Polícia Militar, mas acabou encurralado na Rua Bento Gonçalves até a chegada da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (CORE). Só à partir daí os ânimos se acalmaram.

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Na Rua Benício de Abreu, as cenas eram ainda mais impactantes. Duas paredes tinham diversas marcas de tiro e muitas garrafas de vidro quebradas no chão. Um operário, que ajudava na soldagem de uma estrutura quebrada por torcedores no bar na esquina da rua com o setor Oeste, descreveu estupefato o que viu.

- Cenas de guerra. Eram bandidos, ladrões, não tem outra palavra. Roubaram cervejas, quebraram cadeiras, garrafas e barracas. Todos fechamos as portas, mas a maioria dos ambulantes perdeu mercadoria. Ouvimos tiros e assim que saímos, vimos essas paredes cheias de furo. Estou no Rio há dois anos, vim de Cuiabá. Se arrependimento matasse, estaria morto. Vou voltar para lá. Isso aqui não existe - declarou o homem que não quis se identificar.

As paredes de uma escola municipal na Rua José dos Reis também tinham marcas de sangue e tiro. Ao ver a reportagem do GloboEsporte.com, uma moradora se aproximou e resumiu o que viu.

- A parede da escola furada e com sangue diz tudo sobre o que aconteceu. Trocamos lápis por pistolas. Isso vai continuar até que se invista mais em educação e menos em armas. Está tudo violento, não é só o futebol - declarou.

Procurados pela reportagem do GloboEsporte.com, o 3º Batalhão da Polícia Militar e o Grupamento Especial de Policiamento em Estádios (Gepe) não retornaram as ligações.

Autor: Equipe O Polêmico

Fonte: http://globoesporte.globo.com/rj/futebol/campeonato-carioca/noticia/2017/02/o-dia-seguinte-manchas-de-sangue-e-medo-no-entorno-do-nilton-santos.html

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