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As 48 horas de mergulhadores perdidos em água com tubarões

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As 48 horas de mergulhadores perdidos em água com tubarões

Rodríguez estava havia mais de 40 horas sem dormir, sem água nem comida, quando cochilou e perdeu a máscara de proteção, levada pelo mar. Sabia que corria risco de hipotermia e, principalmente, de ser atacado por tubarões e águas-vivas.

“Foi um duro golpe, porque a máscara era dos elementos básicos que nos ajudava a ficar vivo”, disse o mergulhador colombiano, de 37 anos.

Rodríguez o amigo estavam revezando a única máscara que tinham quando ouviram o som distante de um motor. Um avião passou por cima deles, mas seguiu direto.

Como o avião não parou, os dois acharam que o piloto não viu as boias de sinalização que seguravam.

“Fomos tomados pelo desespero. Cerca de 15 minutos depois, vimos um ponto no ar. O avião estava voltando. Tínhamos certeza de que eles estavam olhando para nós”, contou Rodríguez.

O avião não apenas voltou ao local onde os dois estavam como lançou um bote inflável para salvá-los. As Forças Armadas colombianas montaram um missão conjunta para buscar os mergulhadores.

“Eu me senti como se uma recarga de energia incrível tomasse conta de mim, da cabeça aos pés. Foi uma enorme felicidade, porque os ânimos estavam muito baixos”, recorda o mergulhador.

Ele relatou como foram difíceis os dois dias inteiros que passaram em alto mar. Rodríguez conta que pensou nos piores cenários, mas diz ter mantido a mente ocupada. Decidiu trabalhar junto com o amigo para aumentar as chances de sobreviver.

A aventura de Rodríguez e Morales começou em 25 de agosto, quando 12 mergulhadores acompanhados de três instrutores e da tripulalção do barco Mary Patricia partiu de Buenaventura, na Colômbia, para navegar no Pacífico. Eles enfrentariam 30 horas até a ilha de Malpelo.

Além de Rodríguez e Morales, Erika Diaz, Paul Morse e instrutor Carlos Jimenez estavam em seu último mergulho da expedição, em 31 de agosto, quando uma corrente os arrastou para longe do barco.

Embora estivessem relativamente perto uns dos outros, a correnteza separou os mergulhadores, levando-os para bem longe do barco e da ilha.

Rodríguez, que tem 10 anos de experiência de mergulho, conseguiu ficar junto com Morales. Ainda assim, conforme o tempo passava e a noite chegava, os problemas começaram a surgir.

Para se manterem aquecidos, se amarraram um ao outro. Usaram cordas para flutuar na água em posição fetal e, assim, evitar a fadiga de manter pernas e braços em movimento para não afundarem.

Foram queimados por águas-vivas e, para se proteger, taparam braços e pescoços com as boias infláveis.

SUICÍDIO

“Não podíamos nos dar ao luxo de sentar e conversar sobre o quão difícil era a situação. Tudo o que eu fiz foi tentar passar o tempo tentando resolver problemas”, contou Rodríguez.

O mergulhador admite, contudo, que por mais que tentasse, nem sempre era possível evitar os piores pensamentos. “Você não pode negar o fato de que estávamos sozinhos, no escuro, com frio. Havia o risco de ataques de animais, de hipotermia”, observou.

Grandes grupos de tubarão-martelo costumam passar pela área. É uma das grandes atrações para os mergulhadores, ainda que sejam raros ataques em seres humanos.

Juntos, os dois mergulhadores dizem que tentaram ao máximo se ocupar com tarefas básicas para aumentarem as chances de saírem dali com vida. Mas, enquanto as horas passavam, pensamentos negativos permeavam suas mentes.

“Há momentos em que você tem que pensar sobre todas as possibilidades. Por isso, mesmo sem querer, tivemos que encarar a realidade. O tempo passava e nada acontecia, não queríamos sofrer”, disse Rodríguez.

Suícidio foi um dos temas sobre o qual os dois conversaram em detalhes. “Falamos inclusive sobre suicídio. Falamos das decisões que poderíamos tomar, de qual opção seria melhor. Uma dessas opções era morrer”, revelou.
Morse, Díaz e Jímenez: o que aconteceu com os outros mergulhadores

Enquanto Rodríguez e Morales tentavam juntos sobreviver em alto mar, o australiano Paul Morse conseguiu nadar até ser salvo próximo à Ilha de Malpelo. Dois mergulhadores, contudo, continuam desaparecidos.

Érika Díaz e Carlos Jiménez estão sendo procurados há uma semana.

O Orcas Club, que organizou a expedição, informou que todos no barco tinham experiência necessária e usavam equipamentos corretos, além de estarem acompanhados por um instrutor com 30 anos de mergulho no currículo.

“Eles são mergulhadores experientes, com formação suficiente para estarem lá. Eles cumpriram todas as exigências necessárias. Mas este fugiu do nosso controle”, disse Patricia Duque, representante do clube.

Segundo ela, esse tipo de passeio é organizado pelo clube há 25 anos e, até então, não havia registros de casos de mergulhadores arrastados por correntes marítimas.

O almirante Paulo Guevara, comandante da Força Naval colombiana no Pacífico, disse que a operação de busca continua indefinidamente até a localização dos dois mergulhadores que seguem desaparecidos. Eles estão monitorando uma área de 7 mil quilômetros quadrados.

“À medida que o tempo passa, as incertezas tornam-se maiores”, disse Guevara. A dificuldade de localizá-los, segundo o comandante, aumenta se não há sinalizadores.

Rodríguez disse só não está plenamente satisfeito com o seu resgate porque seus dois companheiros de mergulho ainda não foram localizados.

Para ele, a lição que tirou do episódio é clara: “Para a sobrevivência, uma das coisas mais importantes é manter sua mente ocupada”.

Criador: Equipe O Polêmico

Fonte: http://www.bbc.com/mundo/noticias-america-latina-37303459
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